Autor: Marcela Trópia

  • Marcela Trópia realiza audiência pública com especialistas para discutir o abandono e a evasão escolar em BH

    A Comissão de Educação da Câmara Municipal de Belo Horizonte, presidida pela vereadora Marcela Trópia, realizou na última quinta-feira, dia 26, em ambiente virtual, uma Audiência Pública para discutir o problema da evasão e do abandono escolar na capital mineira.

    O evento contou com a participação dos especialistas Ricardo Paes de Barros (Insper), Cláudia Maria Costin (FGV); Carolina Campos (Vozes pela Educação) e Bárbara Panseri (Fundação Lemann).

    Além destes, também foram convidadas a secretária municipal de Educação de Belo Horizonte, Ângela Dalben, a secretária Estadual de Educação de Minas Gerais, Julia Sant’Anna, e a secretária Municipal de Educação de Fortaleza, Dalila Freitas.

    Uma pesquisa do C6 Bank/Datafolha, realizada entre novembro e dezembro de 2020, aponta que, durante a pandemia, em 2020, 4 milhões de estudantes brasileiros, entre 6 e 34 anos, abandonaram os estudos. Desses, mais de 17% não pretendiam voltar a estudar neste ano, o que configura a evasão. Muitos perderam o interesse pelos estudos, não tiveram acesso a qualquer aula, não se adaptaram ao ensino remoto, ou tiveram que começar a trabalhar para ajudar na renda familiar e deixaram os estudos de lado.

    “O atual cenário de pandemia agravou ainda mais a situação, sobretudo pelo longo fechamento das escolas e a dificuldade da Prefeitura em estabelecer um ensino à distância de maneira estruturada. Precisamos continuar garantindo o retorno seguro das aulas presenciais, mas também pensar nos alunos que abandonaram os estudos no meio do caminho e como contornar essa situação para que não tenhamos mais desistências”, afirmou a vereadora Marcela Trópia.

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    Equipe Marcela Trópia

  • O coronavírus poderia ser o fim das cidades como conhecemos?

    Se perguntassem no ano passado, ninguém poderia imaginar que estaríamos vivendo um 2020 tão caótico. O coronavírus se alastrou pelo planeta em menos de dois meses e tivemos que repensar nossas rotinas e atividades, colocando o modelo de vida urbana de ponta à cabeça.

    É claro que existe uma relação direta entre o espalhamento do vírus e o volume e velocidade das relações que estabelecemos nas cidades. Por essa razão, o distanciamento social foi, até o momento, a principal medida para conter essa disseminação de um vírus antes desconhecido. Seria esse o fim das cidades como conhecemos?

    Toda nossa concepção de urbanização vem sendo formatada pela maneira como interagimos uns com os outros, a forma que nos relacionamos no trabalho, como nos organizamos em bairros e nossos hábitos de consumo. Essa convivência foi o que fez as cidades crescerem e se desenvolverem nos últimos séculos e a pandemia mostrou como somos dependentes desse ritmo. Por mais que as coisas tenham se adaptado em muitas áreas do nosso dia a dia, a verdade é que a pandemia veio como uma ruptura na lógica urbana que conhecemos e estamos acostumados. 

    A solução seria, então, nos isolarmos em vilas? Ou sairmos das cidades para sítios? Me parece que não. O argumento de que o isolamento é a única forma garantida para evitar o vírus até pode nos conduzir para essas ideias de um êxodo urbano. Mas na prática, é a aglomeração em cidades que permite que tenhamos uma série de serviços e produtos essenciais ao combate à pandemia.

    O fato de estarmos aglomerados em cidades permite que tenhamos milhares de interações todos os dias. Sejam elas afetivas, econômicas, criativas, de conhecimento, etc. As cidades são o ambiente para que soluções tecnológicas se desenvolvam. As comunidades potencializam as boas ideias. E, de forma mais pragmática e sob uma ótica de mercado, são as cidades que tornam a manutenção de um hospital, por exemplo, possível, tanto pela disponibilidade de equipamentos, de médicos, enfermeiros, quanto do ponto de vista da escalabilidade do negócio. E é assim para demais atividades que dependem de muita gente para se sustentarem.  

    Qual seria o equilíbrio, portanto? Cidades que se aglomerem o suficiente para que serviços e soluções sejam oferecidos, mas que não transformem a convivência das pessoas em uma bomba relógio de contágio? Bom, ainda não temos essa resposta ou protocolos perfeitos. 

    Neste momento, não se pode abrir mão de leitos hospitalares, de pesquisa de ponta ou de laboratórios. O foco deve em ser de minimizar a disseminação a partir de políticas focadas em quem mais sente os efeitos da pandemia, orientadas para achatamento da curva e também para sairmos o mais rápido possível desse contexto. 

    É preciso ter paciência e esperar os desdobramentos da pandemia, para fazer uma reflexão mais profunda sobre os impactos nas cidades a partir dessa crise sanitária, em vez de descartá-las por completo. E antes de determinar que as pessoas se espalhem para fora dos centros urbanos, devemos focar em elaborar protocolos de segurança para que as conexões voltem a ocorrer de maneira segura. Afinal, elas são os pilares das nossas cidades.

    Publicado originalmente no Blog do MLG – Estadão

  • Transparência do poder público na pandemia não é opcional

    Toda política pública deve cumprir com o dever constitucional de seguir o princípio da publicidade. Isso significa que ela deve ser realizada de maneira transparente, para que o cidadão possa exercer seu papel de fiscalização. Quando falta transparência nas decisões tomadas, o governo, os políticos ou os servidores estão ferindo este compromisso firmado com as pessoas.

    Então, se o Ministério da Saúde omite e dificulta o acesso aos dados relativos ao número de mortes e de infectados pela Covid-19 no Brasil, fica claro que ele está descumprindo o que dele se espera. Não é uma questão de escolha para favorecer a ideologia política de seus pares, ou uma diretriz de marketing. É o cumprimento claro e objetivo da lei.

    No âmbito local, a diferença entre os planos de flexibilização evidencia ainda mais a importância da transparência. Enquanto o governo estadual lançou o programa Minas Consciente, com ondas bem definidas e protocolos claros para que cada tipo de estabelecimento comercial possa reabrir durante o processo de retomada das atividades econômicas, a PBH adota o sistema da “surpresinha”.

    Toda sexta-feira, os comerciantes se reúnem em frente a uma rádio para acompanhar se podem ou não voltar às atividades da semana seguinte. Não há previsibilidade das fases, nem datas ou estabelecimentos que estão enquadrados em cada onda anunciada, muito menos o tipo de equipamentos que precisarão adquirir ou medidas de prevenção tomar. É de sexta para segunda que um negócio inteiro deve se adequar se quiser abrir dentro da regra, que não é clara.

    Os critérios apresentados para que cada decisão seja tomada não são transparentes. Quais as razões técnicas, afinal, para mais de uma dúzia de shoppings e galerias estarem fechados enquanto um dos maiores shoppings populares da cidade está aberto? É obrigação da PBH dar publicidade a essas razões, para que, aí sim, possamos discutir se eles fazem ou não sentido.

    Não há confiança nas decisões de um órgão que não age com transparência em seus atos, por mais simples que sejam. Não discuto aqui qual deveria ser o planejamento. Isso é papel dos especialistas qualificados para a retomada do comércio em BH, mas questiono a falta de explicações, de transparência e de coerência sobre como esses critérios estão sendo decididos. O cidadão não pode aceitar nada menos do que liberdade total para cobrar as melhores decisões de seus representantes.

  • Construindo a democracia: 9 formas de participar da política

    Desde que me entendo por gente, eu faço política. E isso não significa só que eu já fazia campanha desde os 16 anos. Não! Fazer política é muito mais do que se envolver a cada dois ou quatro anos no processo eleitoral. É um processo diário, construído aos poucos e que demanda muito do nosso tempo e atenção.

    Fazer valer nosso papel dentro da sociedade já é fazer política. Exercer cidadania em cada ato das nossas vidas é o melhor jeito de dar os primeiros passos na política. E isso não é difícil. Eu fiz esse guia para falar mais sobre várias maneiras de você ser mais ativo  no mundo político.

    Eu comecei a exercer política porque queria fazer a diferença na vida das pessoas. Esse foi o caminho que encontrei para colocar em prática as boas ideias que sempre via ao meu redor. Na época de escola, fui presidente do Grêmio Estudantil. Foi quando aprendi na prática como a democracia exige que a gente saiba ouvir e aceitar as opiniões contrárias às nossas. Isso dá muito trabalho porque o consenso parece algo inatingível, mas saber dialogar é ponto mais importante de quem deseja construir uma trajetória na política.

    Como começar? Listei 9 formas de exercer a política em diferentes setores da sociedade. Com certeza, você pode encontrar a maneira que mais se identifica.

     

    Para os jovens

    Grêmio Estudantil

    Costuma funcionar de modo similar ao nosso sistema político. Os membros se elegem depois de votação democrática e precisam se organizar para defender os interesses dos outros alunos. É um bom ponto de partida para quem quer conhecer mais sobre eleições e se envolver com o tema. Também vai aprender na prática como pode ser difícil dialogar com várias pessoas que pensam diferente.

     

    Movimento estudantil universitário

    É uma das principais portas de entrada para grandes líderes políticos do mundo todo. Os movimentos estudantis costumam se organizar em torno de pautas que se identificam e que acreditam ser importantes dentro e fora do mundo acadêmico. É uma oportunidade defender os interesses em conjunto e exercer a política em grupo, concorrendo ou não com outros grupos do mesmo formato. Um dos exemplos é o Students for Liberty – movimento liberal que propaga as ideias da liberdade nas universidades.

     

    Mobilização local

    Associações de bairro

    Bairros, regiões e comunidades costumam se organizar em instituições independentes para tratar de temas locais. É um espaço de convivência e discussão sobre o ambiente comum aos moradores, para tratar dos interesses em conjunto dessas pessoas. É, inclusive, nessas associações em que surgem muitas das demandas que são levadas aos vereadores e discutidas nas sessões legislativas municipais.

     

    Conselhos temáticos da cidade

    Muitos municípios mantêm conselhos voltados para pautas específicas da gestão pública, como por exemplo: saúde, juventude, política urbana e educação. Esses órgãos são abertos para que qualquer cidadão possa contribuir e se integrar mais na política da cidade. Todos eles dependem muito da mobilização social e do envolvimento ativo de quem integra e precisa desses setores: há conferências, reuniões e regimentos para organizar a dinâmica de um conselho.

     

    Associação comercial

    São grupos de lojistas, empreendedores e interessados no crescimento da economia e prosperidade de seus negócios. Podem ser organizações de âmbito local, municipal, estadual ou federal. A proposta é dividir experiências de negócios, compartilhar serviços oferecidos pela associação e enfrentar juntos a burocracia que muitas vezes atrapalha o crescimento dos negócios. Há também oportunidades em programas de capacitação ao funcionário e ao empreendedor. Atualmente, faço parte da diretoria de integração no conselho empresarial de Jovens da ACMinas, a associação comercial de Belo Horizonte.

     

    Mobilização direta

     

    Filiação partidária

    Essa é maneira mais óbvia de se fazer política institucional. Filiar-se a um partido é comprovação de que você tem interesses em comum com a ideologia da legenda e pretende defendê-los na esfera pública. Para colaborar, não precisa necessariamente ser candidato nas eleições. Há uma série de demandas dentro e fora do processo eleitoral que você pode desempenhar, como participar de ações de formação política, promover debates, apoiar candidatos nas eleições, atuar nas esferas internas dos partidos, entre outros.

     

    Ouvidorias

    Os canais de comunicação de comunicação direta são espaços onde você pode denunciar ou fazer sugestões diretamente ao poder público. E isso também é fazer política, pois você estará exercendo ativamente seu papel de cidadão fiscalizador. Geralmente esses canais funcionam por telefones, aplicativos ou redes sociais.

     

    Sessões legislativas

    Saber o que está acontecendo dentro das casas legislativas deveria ser um dever de todo cidadão. É dessa maneira, inclusive, que você pode acompanhar e fiscalizar o trabalho de quem você votou na eleição. Para quem quer começar a entender mais sobre o debate político no dia-a-dia, essa é uma ótima maneira de começar. E não precisa nem sair de casa! Por lei, as câmaras legislativas devem manter canais de acesso ao cidadão. Pode ser por pela TV, rádio ou sites que mostrem as reuniões em tempo real, como por exemplo a TV Senado e a TV Câmara.

     

    Mobilização social

     

    Movimentos políticos

    Com o sistema partidário brasileiro cooptado por legendas que funcionam mais como um “cartório” do que partidos com ideias, propostas e ideologia, vários movimentos suprapartidários estão surgindo no Brasil e são ótimos espaços de debate de ideias. Essas instituições, como o movimento Livres, que defende a liberdade por inteiro e que faço parte, atuam como uma agremiação de pessoas vindas de diferentes regiões do Brasil e diversos partidos políticos (ou de nenhum deles) que trabalham pela mesma ideia.

     

    Plataforma Politize!

    Se você ainda não quer colocar a mão na massa, mas quer aprender mais sobre política, fique de olho em alguns portais especializados no assunto. Um dos que mais gosto e indico é o Politize!: uma ONG voltada para educação sobre política, valorizando a pluralidade de ideias e posições. A plataforma oferece conteúdos em diferentes formatos: áudio, vídeo e texto para formação de uma cidadão consciente.

     

    Dentro de todas essas instituições existem várias formas de participação. Se você propõe debates saudáveis com sua família, apoia candidatos em períodos eleitorais ou até mesmo se mobiliza para cuidar do seu bairro, você já está fazendo política. No fim, o mais importante é todos fazermos nosso papel de cidadão. Acredite, são pequenas ações que fazem parte do quanto você pode ou não ser ativo na política. Valorize o sua função na sociedade e na defesa daquilo que você acredita!

  • O que as crises que vivemos no Brasil têm a nos ensinar?

    Desde que entramos em isolamento social, o país encara três crises: a sanitária do coronavírus, a crise política e a agora a intensificada crise econômica. As necessárias decisões de governos pela quarentena nos obrigaram a adequar nossas vidas e também forçaram os empreendedores a reinventarem seus negócios. Mesmo em um cenário otimista, as mudanças provocadas pela pandemia nos levarão para um “novo normal”. 

    Em Belo Horizonte, estamos perto de completar 70 dias em casa. Alguns setores econômicos foram mais fortemente impactados, mas, via de regra, a maior parte dos negócios já enfrentava recessão. Nas últimas semanas, venho conversando com diversos empreendedores, de BH e do Brasil, para ouvir sobre como eles têm enfrentado esse cenário. É claro que os desafios são enormes e queda de receita é um grave problema, mas há quem tenha conseguido levantar grandes aprendizados.

    Um dos segmentos que sofreu forte impacto nos primeiros dias do isolamento social foi o dos bares e restaurantes. Obrigados a encerrar o atendimento presencial, muitos não trabalhavam com delivery. Este era o caso do Kanpai, restaurante do Guilherme Xavier, membro da diretoria da ACMinas Jovem, que conseguiu se adaptar rapidamente para oferecer o serviço de entrega e fez com que essas vendas crescessem em 600%. 

    Mas o Kanpai só teve sucesso porque conseguiu dar um passo importante: se antecipar e planejar. Mesmo antes do primeiro caso de coronavírus ser confirmado no Brasil, o restaurante já observava a possível crise que vinha da China. Logo que o isolamento se tornou realidade, Guilherme separou o time em comitês e juntos criaram soluções. O setor de recursos humanos, por exemplo, cuidou de checar a situação de cada colaborador, mandar para casa quem fazia parte do grupo de risco e garantir a segurança de quem fosse trabalhar presencialmente.

    Diferente do setor de serviços alimentícios, outros segmentos considerados não essenciais possuem uma demanda não recuperável. É o caso dos eventos – todos até junho foram cancelados. Preocupada com o assunto, fui conversar com o Gabriel Benarrós, fundador da Ingresse, a startup que hoje está entre as três principais empresas de venda de ingressos do Brasil. 

    Ele já estava ciente de que, mesmo com a flexibilização, as aglomerações ficariam limitadas por um bom tempo. Há de se destacar que, neste setor, não são só as ticketerias as impactadas. Cada evento é composto por uma cadeia gigantesca de fornecedores, patrocinadores, freelancers. O primeiro passo que a Ingresse deu para enfrentar a crise foi alinhar a atitude de todo o time. O foco agora é em adaptar ao cenário de incertezas, aproveitar as oportunidades e principalmente evitar tomar decisões precipitadas.

    Uma das ideias foi aprimorar a plataforma da empresa, usando o pitstop forçado para fazer todas as melhorias já planejadas. Outra parte da equipe está olhando para o futuro dos eventos híbridos, em que é possível participar tanto presencial quanto virtualmente. Os eventos completamente virtuais também já são realidade com as lives sertanejas e a empresa está de olho na oportunidade de negócio. 

    Os desafios econômicos provocados pelo coronavírus precisam ser encarados com a gravidade necessária. Em ambos os casos que trouxe, é possível destacar o papel da criatividade do empreendedor brasileiro, que naturalmente já precisa lidar com os obstáculos que a burocracia do país já impõe. Mas também revelam uma importante discussão sobre a resiliência do setor empresarial. Em muitas das conversas que tive, ouvi sobre empresas que não possuíam caixa nem mesmo para sobreviver a um mês de crise e tiveram que optar por decisões drásticas como a demissão em massa.

    Para todos casos, a palavra de ordem é resiliência, pois a única certeza que temos é a de que outras crises virão. A mentalidade previdente deve ser a dominante: o cidadão, na sua individualidade, precisa saber se prevenir. Os empreendedores precisam fortalecer seu negócios para que absorvam menos o impacto das crises e saiam mais rápido, em crescimento, se possível. O Estado, por sua vez, deve ser mais responsável com seu regime fiscal para ter caixa disponível na hora das emergências. E, o mais importante, deve eliminar as amarras sobre os indivíduos e sobre o próprio mercado, que acabam prejudicando o crescimento econômico, a geração de renda e desestimulam a mentalidade previdente. Só assim estaremos mais fortes para enfrentar os próximos abalos e sairmos mais rapidamente das futuras crises que, certamente, virão.