Audiência pública na Câmara de BH vai discutir escassez de ônibus noturnos e impactos sobre economia local

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Setor de bares e restaurantes aponta dificuldades para manter operações no período da noite; cidade ostenta título da Unesco como polo gastronômico, mas carece de infraestrutura de mobilidade

A Câmara Municipal de Belo Horizonte realiza nesta quinta-feira (24) uma audiência pública para discutir a deficiência do transporte coletivo durante o período noturno na capital mineira. Convocada pelos vereadores Marcela Trópia (Novo)[1] [2] , Helton Junior (PSD), Iza Lourenço (PSOL) e Luiza Dulce (PT) a reunião pretende reunir no Plenário Helvécio Arantes, a partir das 13h30, representantes do poder público, empresários do setor de bares e restaurantes, especialistas em mobilidade e sociedade civil para debater soluções para a baixa oferta de ônibus entre 22h e 5h.

A pauta ganha relevância diante do papel estratégico que a noite desempenha na economia da capital mineira. Belo Horizonte detém o título de Cidade Criativa da Gastronomia, concedido pela Unesco, e é reconhecida nacionalmente por sua tradição boêmia e pelo protagonismo dos bares, restaurantes e espaços culturais. No entanto, segundo relatos de empresários e trabalhadores do setor, a escassez de transporte público após o horário comercial vem impactando diretamente a rotina de funcionários, o fluxo de clientes e a sustentabilidade financeira dos estabelecimentos.

Atualmente, a cidade conta com 517 viagens entre meia-noite e 4h durante os dias úteis, número considerado insuficiente para atender a demanda da população, segundo levantamento da Abrasel-MG (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes). Estudo encomendado pela entidade revela que 83% dos frequentadores e funcionários têm dificuldades de locomoção no período noturno, principalmente para voltar para casa ao fim do expediente ou após atividades de lazer.

“Não existe cidade vibrante à noite sem transporte público funcionando. É urgente que Belo Horizonte se alinhe a outras capitais brasileiras que já oferecem redes de ônibus noturnos mais robustas. O setor de gastronomia, eventos e cultura noturna precisa de previsibilidade, segurança e mobilidade para continuar gerando emprego e renda”, afirma a vereadora Marcela Trópia.

A audiência também pretende cobrar mais transparência e celeridade nos resultados da pesquisa lançada pela Prefeitura para mapear a demanda por transporte coletivo nas madrugadas. O levantamento foi anunciado no início de julho pelas secretarias municipais de Mobilidade (SUMOB) e Desenvolvimento Econômico (SMDE), mas ainda não teve seus resultados divulgados.

Comparativo com outras capitais – O cenário em Belo Horizonte contrasta com o de cidades como São Paulo, que mantém uma rede noturna com 151 linhas operando da meia-noite às 4h, e Curitiba, que reforça suas linhas troncais nos fins de semana. Já em Recife, linhas específicas atendem diretamente o setor de eventos, com operação estendida durante a madrugada.

Para o setor de bares e restaurantes de BH, a ausência de linhas noturnas fixas ou programas-piloto representa um entrave ao crescimento econômico. A falta de ônibus tem provocado alta rotatividade de funcionários, dificuldade de contratação e redução no faturamento, segundo empresários ouvidos pela comissão organizadora da audiência. Há ainda relatos frequentes de demissões motivadas por problemas de deslocamento.

Entre as propostas que devem ser discutidas na audiência estão a criação de linhas noturnas em corredores estratégicos, especialmente em regiões com alta concentração de bares e empregos no turno da noite; a realização de projetos-piloto aos fins de semana; o estudo de modelos alternativos como mini-coletivos sob demanda; campanhas de conscientização para incentivo ao uso do transporte público; e a inclusão definitiva da mobilidade noturna no Plano Municipal de Mobilidade Urbana, com participação ativa do setor produtivo e das concessionárias na construção de soluções viáveis.


Informações para a imprensa:
Saulo Penaforte (31) 9 9683 5270