Tag: coronavirus

  • BH de Olhos Abertos vira lei na capital mineira

    Na sexta-feira, dia 22, o projeto de lei BH de Olhos Abertos, proposto pela vereadora Marcela Trópia, foi sancionado e se tornou a Lei 11.421/2022.

    O projeto foi apresentado em 2021, com o objetivo de trazer mais transparência nas ações da Prefeitura, combater a desinformação e aumentar a segurança da população.

    A iniciativa propõe a criação de um portal dentro do site da Prefeitura, para que as informações sobre saúde na cidade fiquem consolidadas e sejam atualizadas periodicamente.

    O novo formato estabelecido pela lei vai facilitar o controle e a fiscalização dos dados, tanto por parte dos cidadãos quanto pelo Poder Legislativo.

    O portal deverá disponibilizar:

    • Boletim epidemiológico e assistencial, divididos por regiões, distritos e bairros;
    • Insumos da área da saúde em estoque e em aquisição;
    • Hospitais e centros de atendimento à população;
    • Detalhe de contratações emergenciais;
    • Testes adquiridos, realizados, resultados, quantidade em estoque e em processo de aquisição pela rede municipal de saúde;
    • Laboratórios e hospitais autorizados a fazer testes e a quantidade de testes realizados;
    • Protocolos sanitários definidos para cada atividade no município;
    • Orientações oficiais das autoridades do sistema único de saúde;
    • Notas detalhadas sobre a campanha de vacinação com dados sobre o planejamento, execução, evolução e prestação de contas;
    • Relatório sobre ações de enfrentamento à doença com o detalhamento dos recursos recebidos e gastos realizados;
    • Lista de todas as leis, decretos e ou portarias em vigor relacionadas à crise sanitária.

    “Com a lei BH de Olhos Abertos sancionada vamos evitar que situações de medo e desinformação aconteçam em outras crises sanitárias ou em outros desafios como o combate à H1N1. Meu papel agora é fiscalizar para que as medidas propostas sejam efetivadas de maneira correta”, afirma Marcela Trópia.

  • O coronavírus poderia ser o fim das cidades como conhecemos?

    Se perguntassem no ano passado, ninguém poderia imaginar que estaríamos vivendo um 2020 tão caótico. O coronavírus se alastrou pelo planeta em menos de dois meses e tivemos que repensar nossas rotinas e atividades, colocando o modelo de vida urbana de ponta à cabeça.

    É claro que existe uma relação direta entre o espalhamento do vírus e o volume e velocidade das relações que estabelecemos nas cidades. Por essa razão, o distanciamento social foi, até o momento, a principal medida para conter essa disseminação de um vírus antes desconhecido. Seria esse o fim das cidades como conhecemos?

    Toda nossa concepção de urbanização vem sendo formatada pela maneira como interagimos uns com os outros, a forma que nos relacionamos no trabalho, como nos organizamos em bairros e nossos hábitos de consumo. Essa convivência foi o que fez as cidades crescerem e se desenvolverem nos últimos séculos e a pandemia mostrou como somos dependentes desse ritmo. Por mais que as coisas tenham se adaptado em muitas áreas do nosso dia a dia, a verdade é que a pandemia veio como uma ruptura na lógica urbana que conhecemos e estamos acostumados. 

    A solução seria, então, nos isolarmos em vilas? Ou sairmos das cidades para sítios? Me parece que não. O argumento de que o isolamento é a única forma garantida para evitar o vírus até pode nos conduzir para essas ideias de um êxodo urbano. Mas na prática, é a aglomeração em cidades que permite que tenhamos uma série de serviços e produtos essenciais ao combate à pandemia.

    O fato de estarmos aglomerados em cidades permite que tenhamos milhares de interações todos os dias. Sejam elas afetivas, econômicas, criativas, de conhecimento, etc. As cidades são o ambiente para que soluções tecnológicas se desenvolvam. As comunidades potencializam as boas ideias. E, de forma mais pragmática e sob uma ótica de mercado, são as cidades que tornam a manutenção de um hospital, por exemplo, possível, tanto pela disponibilidade de equipamentos, de médicos, enfermeiros, quanto do ponto de vista da escalabilidade do negócio. E é assim para demais atividades que dependem de muita gente para se sustentarem.  

    Qual seria o equilíbrio, portanto? Cidades que se aglomerem o suficiente para que serviços e soluções sejam oferecidos, mas que não transformem a convivência das pessoas em uma bomba relógio de contágio? Bom, ainda não temos essa resposta ou protocolos perfeitos. 

    Neste momento, não se pode abrir mão de leitos hospitalares, de pesquisa de ponta ou de laboratórios. O foco deve em ser de minimizar a disseminação a partir de políticas focadas em quem mais sente os efeitos da pandemia, orientadas para achatamento da curva e também para sairmos o mais rápido possível desse contexto. 

    É preciso ter paciência e esperar os desdobramentos da pandemia, para fazer uma reflexão mais profunda sobre os impactos nas cidades a partir dessa crise sanitária, em vez de descartá-las por completo. E antes de determinar que as pessoas se espalhem para fora dos centros urbanos, devemos focar em elaborar protocolos de segurança para que as conexões voltem a ocorrer de maneira segura. Afinal, elas são os pilares das nossas cidades.

    Publicado originalmente no Blog do MLG – Estadão

  • O falso poder de uma caneta

    Pais e mães desempregados, negócios fechados e queda no faturamento. Essa é a situação de muitas famílias brasileiras, que estão vendo suas rendas caírem por causa da crise do coronavírus. A dificuldade em cumprir os compromissos financeiros é uma dura realidade para os pais, em especial, o pagamento das escolas dos seus filhos.

    Desde que as aulas foram suspensas pais de alunos, professores, diretores de escolas e empresas do ramo tem debatido: será que as escolas particulares devem ser obrigadas a reduzir suas mensalidades numa canetada? Essa pergunta não tem resposta simples e a solução apresentada por alguns políticos não é inteligente ou razoável.

    Vários projetos estão aparecendo na Assembleia Legislativa de Minas Gerais para que escolas sejam obrigadas a oferecer 30% ou até mesmo 50% de desconto nas mensalidades. Além de serem inconstitucionais, são mais uma daquelas canetadas estatais que não resolvem problemas econômicos e possuem potencial explosivo para efeitos ainda piores.

    É um fato que mães e pais estão enfrentando dificuldades financeiras com toda essa crise sanitária. O desespero é real e legítimo. Por outro lado, as escolas também estão enfrentando dificuldades, como o aumento da inadimplência, e estão se desdobrando para evitar a demissão de professores e funcionários. Sem contar a adaptação forçada ao ensino à distância, que não era um projeto previsto no início do ano letivo e possui seus custos de implementação.

    Há um argumento sólido de que as despesas das escolas com água e luz foram reduzidas pela suspensão das aulas, afinal, ninguém está frequentando esses ambientes. Porém, eles equivalem entre 3% e 5% dos gastos de uma escola, enquanto os salários representam entre 70 a 85%. Ou seja: não é tão fácil enxugar tantos gastos assim.

    E se esses descontos obrigatórios e abruptos forem aprovados, há um grande risco de um efeito boomerang acontecer. Demissões em cadeira, continuidade do ensino prejudicada, falência de pequenas escolas e queda no desempenho educacional das grandes redes. No saldo de tudo isso, temos um evidente prejudicado: o próprio aluno.

    Precisamos pensar em soluções criativas. A negociação de mensalidades pode ser feita caso a caso, de acordo com as condições de cada família. Alternativas para o fluxo de caixa podem ajudar as escolas a manterem sua estrutura funcionando, por exemplo, oferecendo descontos seletivos para quem antecipar mensalidades. Por fim, a educação à distância pode ser viabilizada para continuar a oferta do serviço, valorizando os professores contratados e desenvolvendo outras habilidades que a ausência em sala de aula proporciona.

  • Sociedade contra as fake news do coronavírus

    A pandemia do coronavírus provocou instabilidade no mundo inteiro, exigindo que políticos trabalhassem em planos emergenciais para evitar o contágio geral da população. Porém, em meio a essa crise sanitária, surge um outro inimigo a ser combatido: a divulgação de diversas notícias falsas e boatos sobre a doença. Para conter o vírus, é necessário também combater as conhecidas “fake news”, que causam pânico e ansiedade, prejudicando a conscientização das pessoas sobre as medidas de prevenção, levando-as a tomar decisões impulsivas e desorientadas. Pensando nisso, criei o grupo no WhatsApp Infos Covid-19 BH com o objetivo de reunir informações sobre o cenário de Belo Horizonte e de minar notícias falsas.

    O grupo é uma iniciativa simples e sem custo, que contribui para trazer mais tranquilidade aos moradores. Os membros são convidados a compartilhar informações que julguem relevantes sobre o coronavírus na cidade. Diante de informações duvidosas, eles compartilham a dúvida com o grupo, que, em conjunto, passa a acionar especialistas e fontes oficiais para confirmar se aquela informação é ou não verdadeira. E isso tem dado muito certo, já somos quase 250 pessoas reunidas. 

    Desde o dia 18, data em que o grupo foi criado, conseguimos identificar algumas publicações mentirosas e evitar que fossem passadas à frente. Esse foi o caso de um episódio, narrado em um áudio, de um suposto golpe que estava sendo aplicado nas casas das pessoas por agentes falsos da secretaria de saúde. Rapidamente, acionamos nossos contatos na secretaria estadual de segurança pública e passamos a informação correta. Talvez seja esse o grande poder do grupo, além de manter as pessoas com informações fidedignas e verificadas, somos capazes de alertar os órgãos envolvidos na fake news que ela está ocorrendo e eles podem se antecipar também em combatê-la, de forma pró-ativa.

    Outra ideia que tem tranquilizado os participantes do grupo é o boletim diário que divulgamos ao fim do dia, com informações verificadas e consolidadas. Ele  reúne as últimas novidades sobre o Covid-19 na cidade, como os casos investigados e confirmados, e os decretos mais recentes do Poder Público, que impactam diretamente na rotina dos cidadãos de BH. 

    Diante de um quadro de várias incertezas e de decisões descoordenadas entre os diferentes entes da federação sobre o enfrentamento do coronavírus no Brasil, nós brasileiros nos vemos diante de uma necessidade urgente de nos organizarmos. Juntos  somos capazes de propor alternativas inteligentes para solucionar problemas do nosso dia a dia, em especial numa crise tão grave como a do Covid-19.