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  • Vereadora Marcela Trópia lança e-book com 6 soluções para os ônibus de Belo Horizonte


    Marcela Trópia está dando um passo significativo na busca por soluções para o caos enfrentado pelo sistema de transporte de ônibus em Belo Horizonte. 


    A gestão anterior e a atual da Prefeitura de BH cometeu erros e não resolveu esse problema crítico. Diante disso, a vereadora lançou um eBook que propõe 6 medidas inovadoras para remodelar o sistema de transporte na capital de Minas Gerais. 


    Trópia analisou a situação atual do sistema de ônibus da cidade e se inspirou em modelos de mobilidade que funcionam no mundo todo. O e-book apresenta propostas concretas e viáveis que visam melhorar a qualidade, eficiência e acessibilidade dos ônibus de BH.


    Uma das soluções que Marcela Trópia destaca no eBook é a necessidade de a Prefeitura optar por contratos de operação mais curtos da concessão do serviço. Segundo Trópia, isso daria maior flexibilidade para adoção de novas tecnologias de mobilidade para o sistema de transporte.


    As seis soluções apresentadas no eBook abrangem diversos aspectos do sistema de transporte de ônibus. Elas visam melhorar a infraestrutura, a acessibilidade, a qualidade dos veículos, a segurança dos passageiros e a eficiência operacional. 


    As propostas que a vereadora apresenta no material já são aplicadas em diferentes cidades ao redor do mundo todo. Marcela Trópia traz referências de proposições para a mobilidade de Belo Horizonte aplicada com sucesso em cidades como Santiago e Londres.


    O e-book está disponível para download gratuito clicando no link. 

  • O pai ausente do transporte público em Belo Horizonte

    Você já deve ter ouvido o caso do pai ausente. Culpado por não participar da criação do filho, ele tenta compensar com presentes e dinheiro. Foi o que fez o ex-prefeito Alexandre Kalil, que depois de 5 anos de mandato sem resolver nada do transporte público em Belo Horizonte, decidiu dar R$ 220 milhões às empresas de ônibus.

    Um repasse ilegal e mal explicado, feito durante a pandemia, e que só postergou o colapso dos ônibus que vivemos hoje.

    É preciso mudar a estrutura 

    Não é segredo para ninguém que o sistema de transporte coletivo de BH está em frangalhos. Mas os problemas, apesar de agravados pela pandemia, não surgiram ontem. A cada nova eleição, candidatos prometem resolver, mas se esquecem logo depois que sai a lista dos eleitos. Quando lembram, optam pela solução mais cômoda, que é injetar mais dinheiro público em um sistema ruim por natureza.

    É nesse contexto que se encontra a atual proposta do subsídio temporário de R$ 237 milhões para empresas de ônibus em BH. O subsídio vai aplacar o cenário de superlotação, de diminuição da quantidade e de péssima qualidade dos veículos, mas não resolve o problema a longo prazo.

    Leia também: Mobilidade no mandato da vereadora Marcela Trópia

    Subsídio não salva um sistema falido

    No modelo de concessões, a empresa de ônibus é remunerada apenas pelas passagens vendidas (Lei Federal nº 8.987/95). A realidade é prova de que essa única fonte de receita não é suficiente para custear todo o sistema: combustível, salário dos motoristas, manutenção ou troca dos veículos e etc.

    Ou seja, como tudo no sistema precisa ser custeado somente com o valor pago pelos passageiros, a tarifa segue cara mesmo com ônibus lotados. Por isso, a lógica também desincentiva qualquer investimento em modernização, afinal, ninguém quer pagar mais caro na passagem.

    Em outras palavras, criar subsídio é continuar fazendo o cidadão pagar sozinho (e duas vezes), além de abrir margem para que as empresas se tornem dependentes de repasses cada vez maiores da Prefeitura. A única saída sustentável é criar fontes alternativas de receita que não sejam dinheiro público.

    Para isso, precisamos começar a debater alternativas que envolvam mais inovação e criatividade. Eu apresento aqui três práticas simples e já testadas em outras cidades e até fora do Brasil, que podem equilibrar o sistema sem dar mais dinheiro público às empresas de ônibus e sem sobrecarregar ainda mais o passageiro e o cidadão pagador de impostos.

    Marcela Trópia: Por que inovação no setor de transportes assusta tanto?

    Busdoor ou publicidade em ônibus

    Lembra daquela imagem dos tradicionais ônibus vermelhos de Londres, plotados com campanhas do novo lançamento da Netflix? É possível aumentar as receitas das empresas de ônibus com venda de espaços para campanhas publicitárias no interior e na parte externa dos veículos.

    Belo Horizonte possui cerca de 2.700 ônibus circulando diariamente pela cidade. Cada veículo pode ser utilizado como canal de propaganda, usando monitores na parte interna (mídia indoor) ou colocando anúncio nas laterais externas e na traseira do veículo (busdoor).


    Concessão de Direito Real de uso no transporte público em Belo Horizonte

    Belo Horizonte possui sete estações de integração de linhas de ônibus/metrô, com um bom potencial de arrecadação. As referidas estações poderiam, a exemplo recente do Ginásio do Mineirinho, serem concedidas para a exploração econômica pela iniciativa privada.

    Aluguel de lojas e realização de eventos culturais são exemplos de como as estações podem se transformar em fontes de receita alternativa para o custeio do serviço público.

    Naming rights das estações

    Naming Rights é um contrato por meio do qual empresas compram ou alugam o nome de algum estabelecimento. Isso significa que as estações de ônibus podem ser batizadas com o nome de uma empresa ou de algum produto relacionado a ela.

    Esta forma de exploração de marketing não é novidade mundo afora, utilizada em estádios de futebol, teatros, museus e estações de metrô.

    Descaso do ex-prefeito com o transporte público em Belo Horizonte

    Ao decidir repassar ilegalmente R$ 220 milhões às empresas de ônibus em 2020, Kalil apenas empurrou com a barriga o caos no sistema de transporte. De fato, a medida ao melhor estilo “pai ausente” nos levou a um beco sem saída, em que não se vê outra alternativa a não ser um subsídio emergencial e temporário.

    No entanto, sabemos que injetar dinheiro público sem consertar o sistema não vai resolver a mobilidade em BH. O urbanista Jaime Lerner disse que “se você quer criatividade, corte um zero do orçamento. Se você quer sustentabilidade, corte dois zeros“. A mensagem é poderosa.

    Por certo, que saibamos aproveitar esse novo fôlego para revisar de uma vez por todas nosso sistema de transporte coletivo, sob pena de, daqui um ano, estarmos discutindo um novo subsídio. Eu não quero um subsídio eterno para minha cidade. Quebrar esse ciclo vicioso da tarifa e inovar será difícil, mas não impossível.

    Acima de tudo, confio na nova gestão da Prefeitura de Belo Horizonte para conduzir esse trabalho junto à Câmara Municipal e demais partes envolvidas nessa política pública.

    Leia também: Monopólios do transporte: por que ainda insistimos nesse modelo tão ineficiente?

  • Bancada do NOVO fiscaliza obras no bairro São Gabriel

    Na quinta-feira, dia 05 de maio, a bancada do NOVO em BH fez uma visita técnica para fiscalizar as obras que estão sendo realizadas próximo à Estação São Gabriel para reduzir os problemas causados pelas inundações no local. O pedido foi feito pela Comissão Especial de Estudo – Drenagem Urbana.

    A obra inclui a implantação de um canal paralelo à canalização atual para diminuir o escoamento de água em direção à Av. Cristiano Machado e diminuir os problemas causados pelas fortes chuvas.

    Além disso, a vereadora Marcela Trópia relata que tem recebido muitas mensagens de pessoas reclamando do trânsito e da falta de segurança na região.

    A visita técnica foi acompanhada por representantes da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura, da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) e da Companhia Urbanizadora de Habitação de Belo Horizonte (Urbel).

    Veja o vídeo da visita.

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    Equipe Marcela Trópia

  • Por que inovação nos transportes assusta tanto?

    A inovação nos transportes pode ser vista na atuação de empresas como a Uber, a Buser e a 99, que têm mais características em comum do que o fato de terem transformado o segmento de transportes do Brasil.

    Todas elas também passaram – algumas ainda passam – por tentativas de regulação excessiva por parte do Poder Público, que podem tornar tais negócios inviáveis.

    A Assembleia Legislativa de Minas Gerais foi palco de mais uma dessas tentativas, ao aprovar um projeto de resolução que suspende o Decreto da Liberdade nos Transportes.

    Inovação nos transportes deveria ser unanimidade

    O decreto, publicado pelo governo Zema, visava eliminar burocracias e regulações sem sentido no setor de fretamentos. Por exemplo, acabar com a necessidade de se entregar a lista de passageiros com 12 horas de antecedência ou com a obrigatoriedade do circuito fechado (mesmos passageiros na ida e na volta).

    Na prática, Zema pretendia acabar com regras antiquadas que prejudicam o mercado desse segmento em Minas Gerais. Exemplo dos serviços que fazem parte desse mercado são o transporte de funcionários, as vans de viagem e o da Buser.

    Não é a primeira vez que a liberdade econômica e a inovação nos transportes sofre reveses como esse por aqui. Em 2018, tramitou na Câmara Municipal de Belo Horizonte um projeto de lei enviado pelo ex-prefeito Alexandre Kalil que pretendia regulamentar os aplicativos de transporte na cidade. A proposição trazia medidas como a limitação de veículos com apenas 6 anos de uso e a proibição de viagens coletivas (como o Uber Juntos).

    Após longo conflito entre Prefeitura, sindicatos e motoristas de aplicativo, o projeto foi aprovado e a lei sancionada pelo prefeito, mesmo apresentando pontos considerados inconstitucionais.

    Há quem pense que essas regras são positivas mas, na prática, elas podem tornar novos negócios inviáveis. Em outras palavras, o excesso de burocracia e a regulamentação abusiva no setor de transportes está diretamente ligada aos problemas de mobilidade que enfrentamos. no nosso dia a dia.

    Confira: pauta da mobilidade do mandato Marcela Trópia

    Sem liberdade, setor de transportes seguirá sendo problemático

    Não há como negar que a mobilidade é um desafio histórico do Brasil, seja dentro dos centros urbanos, entre municípios ou até interestadual. Uma das principais causas desses problemas é o excesso de regulação no setor, que inibe a inovação, prejudica o surgimento de novos negócios e favorece a manutenção dos mesmos players no mercado.

    No caso de Belo Horizonte, para além dos cansativos congestionamentos, especialmente no hipercentro, enfrentamos também a falta de opções de transporte e a pouca ou nula integração entre as existentes. Quem se locomove na capital e não quer (ou não pode) ter seu próprio veículo, pode optar apenas pelo ônibus, a linha única do metrô, táxi e os aplicativos.

    Outro problema é que as linhas de ônibus não são integradas com ciclovias, por exemplo, e o cartão que atende o município não é aceito pelas linhas da região metropolitana.

    Com um mercado extremamente fechado, qualquer tipo de inovação nos transportes que surja como alternativa aos modelos vigentes é rapidamente afugentada. Foi o que aconteceu com as bicicletas e patinetes compartilhados, cujas empresas deixaram a cidade diante do risco do aumento da regulamentação.

    Além disso, certas inovações no transporte são literalmente proibidas, como o Uber Juntos, em que o usuário pode pagar uma corrida compartilhada mais barata.

    Por que desburocratizar o fretamento incomoda tanto?

    Em nível estadual, Minas Gerais enfrenta problemas semelhantes. O transporte intermunicipal ainda é precário, com linhas monopolizadas pelas mesmas empresas há anos. Mas o monopólio não decorre da eficiência das atuais operadoras de ônibus, cujos preços ou qualidade do serviço inibiriam a tentativa de novos concorrentes se instalarem.

    Ou seja, ele é artificial, criado pelas regras que regem o setor e impedem o surgimento de concorrentes.

    No âmbito das linhas de rodoviária, o problema reside no fato de que a opção legal é pelo modelo de concessão, ao invés de autorização.

    Isso significa que as linhas são leiloadas para quem paga o maior valor ao estado em troca do direito exclusivo de exploração do trecho. Por isso, para arrecadar um valor imediato com a concessão, o estado mata a concorrência por vinte, às vezes trinta anos.

    Isto beneficia o governante da ocasião, pois arrecada um recurso extra. Também é bom para o empresário de ônibus que consegue a garantia de que só os grandes poderão participar do mercado. Assim, a lei protege os lucros da operação por décadas, sem precisar se preocupar com concorrentes.

    Leia também: O Pai Ausente do transporte público em Belo Horizonte

    No final, a população sai prejudicada

    Quem arca com o prejuízo é o passageiro, pois é óbvio que o valor pago pelo empresário de ônibus no leilão entra em sua planilha de custos. Dessa forma, é repassado para o preço da passagem nos anos futuros, encarecendo-a artificialmente.

    Por isso, com toda a certeza, repensar o modelo de concessões seria o ideal. Só para ilustrar, nas autorizações, um modelo melhor, não há pagamento de qualquer valor em leilão e nem garantia de exclusividade na rota. Qualquer um que atenda aos requisitos de segurança e qualidade do serviço pode operar.

    É como deveriam funcionar as linhas de rodoviária em um cenário no qual políticos e grandes empresários não tivessem tantos interesses comuns.

    O mercado de frete, com os populares “ônibus de excursão”, funcionam dessa forma. É assim no mercado de frete, os populares “ônibus de excursão”. Nesse sentido, se o frete opera sob o regime de autorização e tem liberdade para a entrada de concorrentes, surge o questionamento: por que o setor é conhecido como ônibus de excursão e não como alternativa às linhas de rodoviária?

    Novamente, por causa das regras do setor.

    Regras que travam a inovação

    A legislação mineira, feita sob medida para proteger os lucros das linhas de rodoviária, estabelecia várias limitações ao serviço de frete. Isso impedia que ele se tornasse uma alternativa real de transporte para quem desejasse pagar menos, ter mais opções de conforto, destinos e horários.

    Por exemplo, uma dessas regras era a exigência de que o mesmo grupo que fizesse a viagem de ida fizesse também a viagem de volta. Além disso, tinha a exigência de que todos estivessem viajando com a mesma finalidade (assistir ao um show, por exemplo).

    Isso reduzia drasticamente a quantidade de pessoas que poderiam utilizar o serviço, empurrando artificialmente passageiros para a rodoviária. Outro exemplo era a exigência que a lista de passageiros fosse comunicada com doze horas de antecedência para a autoridade fiscalizadora.

    A princípio, isso fazia sentido na época que a fiscalização precisava imprimir todas as listas e levar consigo quando saísse para seus plantões. Mas em tempos de internet e smartphones, essa antecedência deixou de fazer qualquer sentido.

    Exemplo do que deve ser feito

    Em janeiro de 2021, o governo Zema editou o Decreto nº 48.121/21 para derrubar o que era sem sentido. Assim, a porta para permitir a expansão dos pequenos negócios de frete e de pesos pesados da tecnologia como a Buser foi aberta.

    Em pouco menos de seis meses de vigência e em meio a uma pandemia, essa simples mudança serviu para atrair mais de R$100 milhões em investimentos no transporte em Minas.

    Ou seja, isso mais que dobrou o número de cidades conectadas por ônibus, via serviço de frete, gerou milhares de novos empregos e permitiu que centenas de milhares de pessoas viajassem pagando menos.

    No final das contas, o balanço foi deixar mais dinheiro no bolso do cidadão e distribuir o lucro para mais de cinco mil pequenos empreendedores espalhados pelo estado.

    Mais uma vez, a inovação nos transportes incomoda

    Mesmo sem derrubar todas as restrições sem sentido, o novo decreto do frete do governo Zema encontrou forte oposição no mundo político. No dia 14/07/2021, o novo decreto do frete foi revogado pela Assembleia Legislativa, que aprovou o Projeto de Resolução nº 109/2021 do deputado Alencar da Silveira Jr.

    A tramitação foi carregada de discursos contra a Buser e contra a concorrência no setor de transportes por ônibus. A votação foi feita na esteira de uma decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que havia declarado o novo decreto ilegal e suspendido sua vigência.

    No dia seguinte à votação na Assembleia, o Poder Judiciário derrubou a decisão do TCE, afirmando que ele próprio agiu ilegalmente por fazer o que não tinha poderes para fazer. Isto é, desde 1988 os Tribunais de Contas não têm poderes para declarar normas legais ou ilegais.

    O Judiciário declarou, também, que o novo decreto estava de acordo com a Constituição e os limites da lei e era perfeitamente legal. Tarde demais.

    Agora uma nova legislação é necessária para restaurar a liberdade no setor. Será feita, e é essencial que se respeite a inovação e que se coloque o interesse do passageiro em primeiro lugar, doa a quem doer.

    Não podemos frear a inovação nos transportes

    Quando falamos em mobilidade, é fundamental colocar no centro da discussão o ator mais importante: o passageiro. Na prática, o cidadão que usa o ônibus, o metrô, o táxi ou o carro próprio deseja conseguir chegar ao seu destino de maneira rápida, previsível e confortável.

    Ele certamente coloca esses elementos como critérios de qual opção vai utilizar quando tem a chance de escolher. O transporte por aplicativo provocou fortes mudanças no setor de mobilidade justamente por permitir uma série de comodidades.

    Por exemplo, o usuário passou a poder comprar a passagem a preços muito mais baratos, solicitar um carro em qualquer lugar da cidade pelo celular, pagar pelo cartão de crédito…

    Não é sem razão que a Uber já possui 1,5 milhões usuários ativos em Belo Horizonte (2019), nem é coincidência que a Buser tenha transportado, apenas no primeiro semestre de 2021, mais de 430 mil passageiros em Minas Gerais (em viagens intermunicipais e interestaduais partindo do estado).

    Precisamos admitir que as pessoas fizeram uma escolha de consumir os serviços dessas empresas. Antes de tudo, isso não porque são a única opção no mercado, mas porque oferecem algo de valor.

    Ignorar essa realidade e frear o crescimento de negócios inovadores em favor dos modelos de transporte pré-existentes é tentar colocar amarras no mercado de inovação nos transportes. A história já demonstrou que, quem tenta fazer isso, ainda que tenha vitórias parciais no meio da caminho, inevitavelmente alcança apenas o fracasso.

    Afinal, leis e regras abusivas podem até tentar limitar o mercado, mas, no fim do dia, a escolha está nas mãos dos indivíduos. A suspensão do Decreto da Liberdade nos Transportes seguirá pelo mesmo caminho.

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    Artigo escrito em coautoria com o deputado estadual Guilherme da Cunha, do NOVO de Minas Gerais.
  • Monopólios do transporte: por que ainda insistimos nesse modelo tão ineficiente?

    Locomover-se pelas grandes metrópoles brasileiras é um grande desafio por conta dos monopólios do transporte coletivo. É um problema que tende a piorar quando quem decide a forma pela qual você pode se mover é o Estado. Portanto, a população encontra algumas restritas opções. Transporte particular como carros, motocicletas ou bicicletas, transporte público como metrô, ônibus ou VLT (veículos leves sobre trilhos). Por fim, pode também utilizar táxi, aplicativos ou fazer uma caminhada. Por que continuamos dispondo, com raras exceções, das mesmas alternativas de 50 anos atrás? Será que o mercado simplesmente não se interessou em buscar novas soluções para atender a demanda por mobilidade?

     

    Monopólios precarizam o transporte  

    Todas as opções citadas possuem suas desvantagens e poderiam ser corrigidas com a existência de mais concorrência no setor de mobilidade. Atualmente, é um meio rodeado por monopólios e altamente regulado pelo poder público, como as linhas de ônibus, as autorizações de táxi, etc. Um exemplo recente de como a concorrência pode ressignificar a prestação de um serviço foi a experiência trazida pelos aplicativos. O preço e a disponibilidade dos táxis eram reclamações frequentes, e não existia alternativa de transporte semelhante. Pagar um motorista particular de forma pontual para se locomover por determinada distância seria impensável.

    A tecnologia e o empreendedorismo conseguiram sanar tais problemas e afrontaram um sistema consolidado, monopolista e altamente regulado. Como resultado, foram gerados novos empregos para a população. Pessoas começaram a prestar um serviço sem burocracia e complementaram suas rendas com seus carros e até mesmo mantiveram uma família com esse tipo de trabalho. Além disso, atendeu-se uma demanda reprimida muito grande, que hoje é evidente, diante do grande volume de usuários dos aplicativos nas cidades.

     

    Abertura de mercado e novos hábitos

    A quebra dos monopólios do transporte visto nos táxis, que é um serviço autorizado pelo poder público apenas para um número limitado de prestadores, permitiu a concretização de mudanças de hábitos. Cidadãos abandonaram seus carros particulares em casa para se locomover com mais flexibilidade. Certamente, parte da população com menor poder aquisitivo, que não fazia parte do grupo que possuía veículo particular, passou a conseguir ir trabalhar ou sair para consumir bebida alcoólica, por exemplo, com mais conforto que um ônibus e sem colocar sua vida e a dos demais em risco.

    Toda essa reflexão nos permite aplicar o exemplo dos aplicativos para toda a discussão de mobilidade urbana. Existem diferentes demandas em uma cidade: a do estudante universitário, a dos moradores de regiões periféricas, a do idoso que precisa fazer um exame médico, a do trabalhador comum que passa horas no trânsito todos os dias. Nesse sentido, por que não permitir que as pessoas se organizem para se locomoverem pela cidade da maneira mais eficiente? O atual modelo claramente não atende bem os seus usuários, desse modo, é preciso questionar o interesse do Estado em regulamentar de forma tão intensa o direito de ir e vir e a liberdade de escolha das pessoas.

    Leia mais sobre Inovação no Setor Público.

     

    Os monopólios prejudicam o elo mais fraco

    Quem tem mais dinheiro busca sua alternativa, adquire um carro, usa um aplicativo ou se muda para um local mais perto do seu trabalho. Contudo, quem não possui essas condições financeiras, fica restrito a um transporte público de baixa qualidade e pouco integrado com outros modais, o que pode tornar a viagem muito longa ou muito cara.

    Hoje, a prefeitura de uma cidade determina as linhas de ônibus que a iniciativa privada pode explorar, em geral, via contratos com décadas de duração e pouquíssima transparência. Em resumo, esse modelo gera um resultado muito ineficiente: trajetos muito longos, que consigam abarcar o máximo de passageiros possível são explorados, deixando os ônibus cheios, passando por vários pontos entre a partida e o destino final. E se fosse permitido oferecer linhas de acordo com a demanda, com organização local, dos próprios moradores de uma região?

     

    Sem livre iniciativa

    Se isso acontecer em Belo Horizonte, por exemplo, há punição por transporte clandestino. Há anos a BHTrans, responsável pelo planejamento da mobilidade urbana da cidade, não é transparente com os cidadãos em relação aos contratos das empresas de ônibus. Anteriormente, o último prefeito prometeu abrir a “caixa preta” do órgão. Após três anos de gestão, o belo-horizontino viu os trocadores serem extintos dos ônibus, descumprindo os contratos, e a passagem sendo reajustada a cada ano, sem melhoria do serviço.

    Esse não é o modelo que ‘garante’ transporte público para todos. As demandas de uma cidade não se encaixam em linhas e trajetos pré-determinados, em poucos formatos de transporte. Apenas um modelo com livre concorrência, abertura à tecnologia e facilidade para inovação pode resolver esses desafios. Em vez de empresas monopolistas de ônibus, precisamos de liberdade para que empreendedores possam trabalhar em pequenas rotas recebendo pelo serviço. Em vez de rotas pré-determinadas, precisamos de serviços flexíveis e inteligentes. Só a quebra dos monopólios do transporte pode tornar o cidadão livre para ir e vir.

    Leia também: O pai ausente do transporte público em Belo Horizonte