O Liberalismo está em xeque?

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O Brasil enfrenta três crises: a sanitária, com a pandemia do coronavírus, a econômica, que só piorou nesse novo cenário, e a política, com um Governo que falhou em entregar suas promessas de campanha, o combate à corrupção e as reformas liberais. Em meio a esse combo do fracasso, há quem insista que chegamos ao fim do liberalismo. Eu defendo que não.

Desde que a pandemia começou, eu ouvi muita gente dizer que só um Estado forte seria capaz de nos tirar desta crise. Em especial, vi gente enaltecendo o sistema público e universal de saúde promovido pelo Governo Federal. Não vamos cair nesse conto. Se o foco do Governo fosse garantir saúde de qualidade em vez de tentar prestar o serviço diretamente, estaríamos nesse momento custeando leitos de altíssimo nível no setor privado para aqueles que não têm recursos. Se não tivéssemos que pagar médicos, equipamentos e logística de estoque e distribuição, poderíamos construir mais parcerias como a que Zema fez em Minas Gerais com o hospital privado Mater Dei Betim, garantindo leitos de UTI para quem mais precisa.

Um outro exemplo positivo de Minas Gerais foi a compra dos ventiladores custando um quarto do valor e chegando muito mais rápido. Quem comprou não foi a Secretaria de Saúde e sim a Samarco, em pagamento de parte da dívida que possui com o Estado. Mostramos que é muito mais eficiente adquirir ventiladores a preços de mercado do que a preços de licitação. No fim, o que importa mais? A defesa de um modelo estatal ou a entrega do melhor serviço ou produto ao cidadão?

A verdade é que a livre iniciativa sempre apresenta saídas melhores e mais baratas, até mesmo para uma crise epidemiológica. O caso do álcool em gel é um exemplo. A alta demanda inesperada pelo produto fez com que ele faltasse não apenas nas prateleiras dos supermercados, mas também nos hospitais. Uma das causas era a burocracia extrema, que impossibilitava a produção do álcool por fábricas de médio porte. Graças a uma rápida ação do partido NOVO, a Anvisa foi acionada e os impasses produtivos eliminados. Empresas cujos produtos estavam com a demanda em queda redirecionaram suas fábricas para a produção de álcool em gel. Imagine se estivéssemos esperando a construção de uma nova estatal…

Quando falamos da crise econômica, fica ainda mais claro que as respostas estão justamente no liberalismo. Se tivéssemos um Governo comprometido com a estabilidade fiscal nos últimos anos, de acordo com uma proposta liberal, teríamos caixa suficiente para suprir as demandas emergenciais que essa crise nos trouxe. Não seria necessário ampliar a dívida ou imprimir moeda, muito menos aumentar imposto.

Num mundo liberal, menos custos trabalhistas e regulações profissionais desnecessárias resultariam em mais gente empregada e com renda mesmo durante a crise. O exemplo da telemedicina é marcante. Também como fruto da bancada do NOVO na Câmara, conseguimos a permissão temporária da atividade, evitando que milhares de pacientes se exponham ao risco de serem contaminados nos hospitais, e garantindo que este mercado continue girando. Por fim, vale lembrar que o auxílio emergencial, um espécie de “coronavoucher”, é uma resposta liberal: dinheiro na mão de quem mais precisa, para ser livremente usado por cada família.

Por fim, não podemos deixar de dizer que a crise política poderia ter sido evitada se tivéssemos um Governo plenamente liberal. Para começar, privatizações e grandes reformas como a tributária e administrativa não estariam tão distante da nossa realidade. Ministros que apresentam trabalhos técnicos, como Paulo Guedes, não estariam com o cargo em risco. O aparelhamento de instituições públicas como a Polícia Federal, em benefício de interesses próprios e familiares, não seria sequer uma suspeita.

Há quem pergunte sobre como ficam os liberais em meio à crise política e eu tomo a liberdade de responder. Continuamos convictos e independentes, como sempre estivemos desde que o Governo começou. Não há possibilidade de concordar com posturas que ferem às liberdades individuais, que coadunam com práticas de corrupção ou que desrespeitem decisões técnicas e embasadas. Não vamos pagar essa conta, porque nenhum desses comportamentos refletem os valores de quem é liberal.

Nós, defensores da liberdade, sairemos dessa crise fortalecidos se soubermos superar o desafio de comunicação que muitas vezes nos é imposto. Faremos isso demonstrando com exemplos da vida real as respostas que um ambiente de liberdade pode oferecer em todos os contextos, inclusive os de crise mundial.

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