Devemos adiar as eleições de 2020? - Marcela Trópia

Devemos adiar as eleições de 2020?

Com a pandemia do Covid-19, alguns políticos estão discutindo unificar as eleições municipais 2020, marcadas para outubro, com as eleições gerais, em 2022. Esse não deveria ser o debate central nesse momento, pois todos os esforços precisam estar voltados para salvar vidas, evitar a ampliação do contágio e preservar o sustento de várias famílias.

Eu sou a favor da unificação das eleições gerais com as eleições municipais, em que os mandatos passariam a ter 5 anos e seriam coincidentes. Tal decisão tem potencial para gerar economia no processo eleitoral, permitindo até o fim do fundão de 2 bilhões dedicados ao pleito. 

Do ponto de vista da eficiência, seria bem mais simples integrar o trabalho entre poder legislativo e poder executivo, que atualmente possuem só um ano e meio entre uma eleição e outra para fazerem suas entregas e, a cada mudança de dirigente ou grupo de parlamentares, ainda há um custo de realinhamento das decisões, atrasando uma série de processos da gestão pública e da agenda legislativa.  

Porém, toda essa discussão deveria estar contida em um debate ainda mais amplo sobre reforma política, em que poderíamos repensar o nosso modelo eleitoral de maneira mais efetiva, como por exemplo, refletir sobre a implementação do voto distrital misto. De forma geral, seria importante entender os prazos e transições para que as eleições municipal e geral acontecessem juntas, programando essa implementação de forma gradual e programada. Não dá para aumentar em dois anos o mandato dos atuais prefeitos e vereadores. Isso não é justo, para não dizer oportunista. 

Estamos a aproximadamente 190 dias do período eleitoral, que acontecerá dia 4 de outubro, e não há qualquer previsibilidade sobre quanto tempo a crise do coronavírus poderá durar, muito menos o quanto ela irá afetar o nosso país. Até agora, tudo que temos são projeções nada confiáveis e uma instabilidade constante, que exigem dos líderes políticos revisões e análises de cenários todos os dias. 

O adiamento das eleições vai depender do tempo que o isolamento social durar, da aderência das pessoas a ele e também da capacidade do nosso sistema de saúde em absorver e tratar todos que precisarem, além do desenvolvimento de possíveis tratamentos e vacinas em escala. Na ausência de um contexto mais claro, não cabe qualquer outra discussão diferente da contenção e superação dessa crise.

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